Na Combo-entrevista da Semana bato um papo com o mal humorado e punk Flávio Soarez do Podcast Papo de Gordo e do Blog A Vida com Logan.
1 – Bom, vou ser curto e grosso, mas passo vaselina antes. Nome, idade, onde mora, o que faz da vida e opção sexual por favor.
Sem nem um vinho antes? Que merda! rsrs
Essa juventude é diferente a gente vai direto pro negócio, one night stand.
Malditos jovens, no meu tempo havia o romantismo. Vocês não sabem aproveitar os bons momentos.
Flavio Francisco Soares Brandão (assino como Flavio F. Soarez), 36 anos, moro em São Paulo, com a segunda esposa, um cachorro e um gato disfuncionais, trabalho como desenhista e editor de arte/diagramador para a Mythos Editora/Panini e também como free-lancer. Hétero.
2 – Como/Porque decidiu virar Podcaster/Blogueiro?
Bom, o blog surgiu pouco depois do nascimento do meu filho do primeiro casamento, Logan, que é portador de síndrome de Down.
A situação toda do nascimento dele foi bem traumática; eu e minha esposa na época nos sentimos completamente perdidos e, à medida que os dias iam avançando, vimos que não era o fim do mundo e a necessidade de colocar tudo isso pra fora deu origem ao blog que, nesse ano, deu origem à tirinhas do A Vida com Logan. O podcast foi, pra ser bem honesto, um acidente, o Eduardo “Dudu” Sales, criador do antigo blog Contrapeso (que era um registro de sua vida antes e depois da cirurgia de redução de estômago) decidiu que queria fazer um podcast. Me convidou para participar daquilo que foi chamado de Papo de Gordo. Eu topei, mais pela farra do que por qualquer coisa. A idéia não era ter um elenco fixo no PdG além de Dudu e Maira. Então, eu e Lucio (Luiz, co-autor de As Aventuras do MorsaMan), além de Marcelo Soares, um jornalista amigo nosso, fomos chamados pra gravar um ou dois episódios. O problema é que, durante a edição, o Dudu achou que eu e Lucio nos saímos tão bem que faríamos falta no elenco fixo. Aí veio o convite pra aparecermos em todos os programas. Como eu me diverti pra cacete nas gravações acabei topando. Mas te confesso que eu nem sabia o que era um podcast antes de gravar o primeiro PdG.
3 – A primeira vez, Doeu muito?
Nah. Foram todos muito gentis e atenciosos. E levaram KY. E todos ganhamos aquela almofadinha pra hemorróidas… Falando sério, a primeira vez foi muito bizarra, porque não sabia o que era esse negócio de podcast. Quando eu percebi que podia ficar falando bobagem sem maiores problemas, a coisa ficou divertida. Mas eu particularmente não gosto das primeiras gravações. Acho que o PdG pegou pra valer depois da terceira ou quarta gravação, que foi quando todo mundo já estava mais à vontade, depois disso, paramos de mandar flores uns aos outros também.
4 – Como é fazer um Podcast como o Papo de Gordo, que o apresentador/editor é #mimizeiro nato, a Maíra que sacaneia geral, o Conrad e suas piadas ínfames e o Dr. Tapioca?
É uma grande farra! O Dudu é meu amigo de longa data e eu sempre sacaneei com ele. Maira e Conrad faziam parte da lista de discussão de deu origem a tudo isso, a Morsas. E o Tapioca é amigo de anos do Dudu. Por conta da amizade, o respeito vai pro chão na hora da gravação. Nâo se perdoa nada porque, efetivamente, somos amigos ali, ninguém vai ficar dodói por causa de uma piada ou outra, então é fácil ficar chamando o Dudu de mimizento, o Conrad de sem-graça, o Lucio de chato, o Tapioca de comida e a mim de grosso e mal-humorado. Porque nenhum de nós leva isso pra casa, entende?
É só sacanagem uns com os outros, como se estivéssemos numa mesa de bar tomando chope e jogando conversa fora. O problema é que às vezes entramos numa espiral de falar bobagem que não termina e complica a gravação, o assunto desvia, vira um caos tão grande que o Dudu tira as calça e pisa em cima pra tentar readquirir o controle do programa. Mas é ótimo gravar com esse pessoal. Já participei de outros podcasts como convidado e foi muito legal, mas o PdG é a nossa caixinha de areia, ali podemos tudo e mais um pouco e, depois de um ano gravando com esse pessoal, já dá até pra mijar de porta aberta.
5 – Sempre pedimos pro entrevistado anterior sugerir uma pergunta pro próximo convidado, Rodrido do Quarto Sinistro sugeriu essa pra você: Você gosta de Pacu assado?
heheheh. Existem sete respostas para esssa pergunta. 3 desarmam ao mínimo toque, 3 matam imediatamente e a restante, aleija.
Ou então: meu médico proibiu. Ou ainda: assados costumam ser mais ariscos. Ou finalmente: não gosto de peixe.
6 – Recentemente ouvintes do Papo de Gordo descobriram que você é Editor de Arte na Revista MAD, como é trabalhar nessa revista toda gozadinha?
É um nojo. Na verdade há uma inverdade nessa informação. Eu era Editor de Arte da Mythos e não da MAD. Eu dava uma olhada geral na revista, mas, na minha época ela era quase que totalmente responsabilidade do Ota (incluindo a arte). Eu criei alguns estilos quando ela chegou à Panini para diferenciar do material publicado pela Record (se não me engano), e só. Trabalhei mais na edição de arte de alguns especiais da MAD, mas também só pra “marcar estilo”. Depois disso, o editor se entendia com mais alguém da equipe de arte e eu ia cuidar de outro produto. Então, dizer que eu fui editor de arte da MAD não é um reflexo da realidade. Mesmo porque, como eu disse antes, tenho nojo de certas coisas(o Raphael Fernandes, quando ler isso, vai me xingar muito – rsrs). Falando no Rapha, que é o atual editor da MAD, trablhar com ele é insanamente divertido, ele ficava na mesma sala que o restante da equipe de arte e o sujeito é completamente surtado. Ele começa falar bobagem e não pára mais. Boa parte do sucesso atual da MAD se deve a esse garoto. Ele ainda não teve o reconhecimento que merece, mas vai chegar com certeza.
7 – Você se considera mal-humorado, ou é so sacanagem do pessoal do Papo de Gordo? E Punk? heheh
Eu sou uma pessoa de gênio difícil, sim. Sou chato com assuntos de trabalho e tenho pavio curtíssimo. Xingo no trânsito, xingo em fila de supermercado, xingo editores, xingo o Dudu, me xingo! Claro que não sou insuportável como parece no PdG, mas sou um cara de personalidade complicada. Costumo dizer que “não perco viagem”. se eu jogo o tijolo, em alguém ele vai acertar. A história de ser punk veio por causa do especial jukebox que gravamos do PdG (idéia roubada, alias, de outro podcast – o RapaduraCast se não me engano), eu tinha que escolher duas músicas relacionadas com comida. A única que me vinha à mente era “Fiapo de Manga” do Joelho de Porco, uma banda paulista que esteve ligada ao movimento punk, mas que nunca foi punk de forma literal. E só eu conhecia a banda no grupo que estava gravando, aí quando eu disse que o JOelho de Porco teve uma grande importância no movimento Punk em SP, começou a história de que eu fui punk. A verdade é que eu nunca usei cabelo moicano, coturno e alfinetes espetados pelo corpo. Mas gostava de Joelho de Porco e dos Inocentes. Tem gente que diz que eu sou punk porque tenho uma postura de punk meio que natural, na maneira como falo, no que falo e como defendo meu ponto de vista e não uso meias-palavras pra me expressar, mas isso pra mim não é ser punk. é ser você mesmo. Enfim…
É fogo, você fala alguma coisinha e isso depois vira contra você
Pois é.
Eu não sei como é que ainda não me acusaram de ser anti-semita por conta da quantidade de vezes que tiro onda de judeu. rsrs
E, que fique registrado: o lado austríaco de minha família é judeu.
8 – Cospe ou Engole?
Que pergunta indiscreta. Seu abusado! Bom, como eu não levo desaforo pra casa, acho que cuspo.
9 – Sua irmã prefere chocolate ou flores?
O rapá! Tu respeite a caçulinha, viu?
Tenso vou apanhar de você e do Rodrigo por causa disso.
Do jeito que a baixinha é braba, eu diria que nenhum dos dois. É capaz de ela lhe enfiar ambos, chocolate e flores, num lugar seu onde não bate sol.
*MEDO*
Não sou o único que saiu louco na família.
10 – Time de futebol?
Curíntia, mano!
Mas você parece ser diferente do padrão corintiano, parece ser estudado e não deve roubrar creio eu.
Eu disfarço bem. De vez em quando dou umas desmunhecadas pra pensarem que sou São Paulino.
hehehe
11 – Filme pornô favorito?
Todos os que tem história!
12 – Música e Podcast, cite um?
PodCast – Máquina do Tempo. Música? Uma música? Porra… essa é foda. Mando uma sinfonia: Pastoral de Beethoven.
13 – Bebida?
Vinho.
14 – Uma Mulher?
A minha.
15 – Um Homem?
Nah. Prefiro mulheres.
heheheh.
16 – Eu já chorei quando…
Me disseram no meio da sala de espera da maternidade que meu filho tinha síndrome de Down e eu não fazia a menor idéia do que isso queria dizer.
17 – Coisa que não vive sem?
Meu filho, minha mulher, meus amigos, uma boa piada, uma boa massa, uma bela tarde de sol sem nada pra fazer. Eu acreditava que não viveria sem dinheiro, mas a prática (e meu extrato do banco) tá mostrando que não é bem assim.
18 – Meta com o Podcast?
Dominar o mundo, é claro, Pinky.
19 – O que achou dessa Entrevista?
Que é uma forma de tu descobrir se manda flores ou chocolates pras irmãs dos entrevistados.
*BUSTED*
20 – Agora um espaço pra você deixar uma mensagem de amor, um xingamento, dar uns endereços de sites pornôs, etc.
Bom, em primeiro lugar eu gostaria de agradecer à indústria farmacêutica, porque sem ela e suas drogas para o tratamento de psicoses graves eu não estaria aqui, e também à minha mãe porque sem ela eu não precisaria dessas drogas pra tratar de psicoses. Falando sério, foi muito legal ter esse espaço todo pra falar as bobagens que sempre falo. Tu faz umas perguntas bem complicadas de responder, o que deixa a brincadeira ainda mais legal. E pra quem nunca ouviu falar de mim, meu trabalho pode ser visto no site Papo de Gordo, onde participo da bagunça com mais alguns desocupados e no blog A Vida com Logan, onde faço um trabalho mais autoral defendendo a inclusão de portadores de necessiadades especiais, mostrando que a Síndrome de Down não é a pior coisa que pode acontecer na vida dos pais e publicando as tirinhas em quadrinhos de A Vida com Logan, um lance meio, como já me disseram, Calvin & Haroldo (só que tosco). E, foi um grande prazer mesmo participar dessa entrevista e poder divulgar um pouco as coisas que eu ando fazendo por aí. Obrigado mesmo. As queixas podem ser encaminhadas pro Dudu.
21 – Pra finalizar, quem você quer que seja o/a próximo/a entrevistado/a?
Rod Reis do Papo de Artista e Mundo Rod Podcast.



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novembro 9th, 2009 at 09:52
Excelente… Ótima entrevista….
Mas… “o Tapioca é amigo de ‘anos’ do Dudu”???
hauhauhauhauahuahuahuha
Entregou geral…
novembro 9th, 2009 at 12:10
Essa entrevista,na minha opinião,foi a melhor de todas…
Muito boa mesmo…
Parabéns pro Flávio por ter um filho com síndrome de Down e tentar conscientizar as pessoas que não é o fim do mundo por isso.
OBS:Sabia q as tirinhas da vida com Logan me parecia algo familiar,só não sabia da onde,realmente,mt parecido com Calvin e Haroldo =)
novembro 9th, 2009 at 14:18
Tenho que concordar com @Felipe, essa sem dúvida foi a melhor entrevista.
Flávio mostrou ser um grande pai, é legal saber que na podosfera existe gente sensata ehhehehe
Parabéns ao entrevistado e o entrevistador!!!
novembro 9th, 2009 at 19:06
Muito bacana!
Por trás de um cara gozado existe um paizão =]
novembro 12th, 2009 at 02:12
Essa matou a pau!
Parabéns pela entrevista Taz, e parabéns ao Flávio pelo grande exemplo de pai e pessoa, por decidir expor seu ponto de vista através do site sobre assuntos tão delicados e pessoais, ajudando à abrir a visão de mundo de muita gente acerca dos portadores de necessidades especiais e lutar pela inclusão de fato deles na sociedade.
Um abraço
novembro 16th, 2009 at 18:29
Ótima Entrevista, Flávio está de parabéns pela seriedade com que enfrentou seus problemas, mato a pau!!! XD
novembro 17th, 2009 at 17:26
Como diz o Dudu: “O Flávio é um cara bem mais sensível do que ele tenta parecer”. Parabens cara pela tua força! Parabens mesmo! Baita exemplo pra muita gente.
novembro 19th, 2009 at 07:35
[...] Combo-Entrevista – Taz vs Rod Reis ► Combo-Entrevista – Taz vs Flávio Soarez ► Combo-Entrevista – Taz vs Samuel Varela ► Combo-Entrevista – Taz vs Rodrigo do Quarto [...]
novembro 19th, 2009 at 18:52
De fato, essa foi a melhor entrevista até o momento!
Acho que sem dúvida essa é a que mais comove a galera, além do Flávio ser uma figuraça, ele ainda é um grande exemplo de vida!
Parabéns ao Flávio mesmo, veio pra mostrar o quão sério é um laço familiar. Como eu disse, exemplo de vida mesmo!
novembro 21st, 2009 at 17:14
Sensacional a entrevista. O Flávio é foda mesmo, em grande parte é “culpa” dele o Papo de Gordo ser um dos (senão “O”) podcast mais engraçado da atualidade. E citar Cavaleiro das Trevas na pergunta 5 foi épico…